quarta-feira, 18 de março de 2009

Pequenas e médias empresas já sentem reflexos da crise

Com base na pesquisa “Sondagem empresarial” realizada entre os dias 16 e 28 de fevereiro pelos alunos calouros dos cursos de Administração e Direito da Faculdade Batista de Vitória (FABAVI) em várias ruas comerciais da Região Metropolitana da Grande Vitória, constatou-se que a maioria das empresas pesquisadas já sente os reflexos da crise.

Foram pesquisadas 208 pequenas e médias empresas, sendo 154 do setor comercial e 54 do setor de serviços. Na metodologia utilizada na pesquisa, a margem de erro foi de 6,8% pontos percentuais para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.

A sondagem empresarial foi monitorada pelos alunos veteranos, membros da EJFV - Empresa Júnior da Faculdade Batista de Vitória (FABAVI) dentro do projeto “XÔ CRI$E – campanha educativa contra a crise financeira global”. Este projeto irá representar a FABAVI de Vitória no Prêmio Trote da Cidadania 2009, evento de iniciativa da Fundação Educar Dpaschoal de Campinas (SP).

A pesquisa demonstrou que as pequenas e médias empresas capixabas dos setores comércio e serviços já sentem que a crise financeira global afetou de alguma forma seus negócios (tabela 1). Cerca de 75% das empresas da amostra, já sentem os efeitos da crise. É interessante observar que o percentual de empresas que estão sendo mais afetadas com a crise foi de 49,5% (20,2% responderam “muito” e 29,3% responderam “moderadamente”). Desse modo, o setor comercial está sendo mais afetado que o de serviços, com 51,3% e 44,4%, respectivamente, somadas as opções de respostas: “muito” e “moderadamente”.

Segundo a pesquisa, o percentual de empresa que está sendo pouco afetada com a crise chegou a 25,5%. Apenas 16,3% dos empresários responderam que ainda não tomaram conhecimento dessa crise, no entanto 8,7% dos empresários entrevistados ainda não sentiram a crise, mas com certeza esperam ser afetados até o final do ano.

Constatou-se sobre o que vem afetando mais os negócios das empresas pesquisadas, e está sendo a retração nas vendas: com 50% das respostas dos empresários do setor de serviços e 47,4% para os gestores das lojas comerciais.

O aumento da inadimplência foi a segunda maior queixa dos empresários, pois vem atingindo 20,1% dos lojistas e 18,5% dos prestadores de serviços entrevistados. As altas taxas de juros embutidas nas prestações vêm estrangulando a renda, desse modo o orçamento do consumidor fica descontrolado, gerando a inadimplência.

O maior parcelamento nas vendas a prazo está afetando mais os negócios do setor comercial do que o setor de serviços. A opção dessa resposta foi de 11% e 5,6%, respectivamente. O parcelamento nas vendas no comércio está comprimindo o capital de giro das empresas que não conseguem alongar o prazo de pagamento de compra dos fornecedores.

A dificuldade de crédito bancário atinge em torno de 9% de ambos os setores pesquisados.

Apesar de atolados na crise, a maioria dos empresários entrevistados está otimista em relação as suas expectativas para os próximos meses. Cerca de 14,5% deles aguardam meses bem melhores e 37,5% esperam por um período um pouco melhor.

Em relação ao futuro, os empresários do setor de serviços estão mais otimistas que os lojistas, isto é, os que optaram pelas respostas “bem melhor” e “um pouco melhor” foram 59,3% e 50%, respectivamente.

Os entrevistados que acreditam que a situação ficará estável chegou a 32,2% das respostas. Os mais pessimistas foram a minoria, sendo que 12% dos entrevistados acreditam que os seus negócios vão piorar um pouco mais nos próximos meses e apenas 3,4% estão prevendo uma piora excessiva.

ATIVIDADES MAIS AFETADAS COM A CRISE

Prestação de serviços em comércio exterior: todas as empresas pesquisadas vêm sentindo muito ou moderadamente os efeitos da crise. A retração no fechamento de negócios é o que mais afeta essas empresas. No entanto, a expectativa da maioria dos entrevistados é de meses um pouco melhores.

Comércio de vestuário: cerca de 60% dos entrevistados vem sentindo muito ou moderadamente a crise. O aumento da inadimplência é o que mais vem afetando seus negócios. A expectativa de 53% dos entrevistados é de meses um pouco melhores.

Farmácia e comércio de cosméticos: cerca de 84,6% dos empresários responderam que estão sendo afetados com a crise. A retração nas vendas foi a opção de resposta para 69,2% dos entrevistados. A expectativa é de estabilidade sem grandes melhoras nos próximos meses.

Comércio de veículos e autopeças: assim como o setor farmacêutico, 84,6% dos empresários responderam que estão sendo afetados com a crise. A retração nas vendas foi a opção de resposta para 53,8% dos entrevistados. A expectativa de 61,5% dos entrevistados é de meses um pouco melhores.

Comércio de móveis: a maioria respondeu que foi afetada com a crise. O maior parcelamento das vendas a prazo é o grande problema enfrentado nesse momento de crise. A expectativa da maioria é de dias um pouco melhores e com tendência a estabilidade.

ATIVIDADES MENOS AFETADAS COM A CRISE

Mercearias e pequenos supermercados: a maioria (53,8%) vem sentindo pouco os efeitos da crise. No entanto a retração nas vendas e o aumento da inadimplência são fatores que ainda afetam seus negócios. A expectativa da maioria é de dias um pouco melhores e com tendência a estabilidade.

Lanchonetes, restaurantes e padarias: a maioria (74%) vem sentindo pouco os efeitos da crise. São as atividades menos atingidas pela crise, pois 39,1% dos entrevistados não tomaram conhecimento da crise. A expectativa da maioria é de dias um pouco melhores e com tendência a estabilidade.

Por: Prof. Paulo César Ribeiro – Economista e Colunista do Sindinotícias




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