sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Gasolina no Brasil é cara por causa da carga tributária, diz economista

O Jornal Sindinotícias entrevistou o economista Prof. Paulo Cezar Ribeiro. Ele respondeu algumas questões que dizem respeito ao alto valor da gasolina e se os lucros das empresas petrolíficas, como a Petrobras, possivelmente garantiriam uma queda ou não desses valores. Confira a entrevista:

Jornal Sindinotícias: Como você avalia o lucro da Petrobras, que foi de quase 100%, ou seja, R$ 10 bilhões?

Prof. Paulo Cezar Ribeiro: Esse resultado é conseqüência de vários fatores, em especial devido ao aumento da produção, da elevação dos preços médios de realização dos derivados no mercado interno, das exportações e do ganho cambial decorrente da depreciação do real sobre os ativos líquidos expostos à variação cambial, no valor de 3,478 bilhões de reais. Resumindo, o lucro da Petrobras foi beneficiado pelos preços, efeitos cambiais, aumento de produção e também com a menor despesa com plano de pensão.

Jornal Sindinotícias: Ao analisarmos esse lucro nos perguntamos: por que o valor da gasolina é tão alto?

Prof. Paulo Cezar Ribeiro: O preço da gasolina no Brasil é mais caro do que em muitos outros países por causa da carga tributária. Como os impostos representam cerca de 50% do preço na bomba, se tirássemos os tributos, a gasolina aqui estaria abaixo do verificado em muitos outros lugares. A título de exemplo, hoje o valor na bomba com impostos nos postos da Grande Vitória está em torno de R$ 2,66 o litro e o valor na bomba sem impostos estaria próximo de R$ 1,50 o litro.

Jornal Sindinotícias: É possível que o Governo Federal reduza o valor da gasolina sem que isso acarrete prejuízos para a economia nacional?

Prof. Paulo Cezar Ribeiro: Dificilmente haverá tal medida, pois o Governo brasileiro usa o preço da gasolina como instrumento de política monetária exatamente porque auxilia o Governo Federal no controle da inflação. O preço da gasolina acompanha só parcialmente as cotações do petróleo no mercado internacional. A política é de trabalhar com o preço da gasolina no longo prazo, não repassando para o mercado interno a volatilidade do barril do petróleo no exterior. Essa política não mudou. Quando o petróleo ficou em alta por vários anos, o Brasil manteve o preço quase inalterado, e não adotará posição contrária quando o produto estiver em queda.

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